16.1.11

a saga da Coitadinha - parte II

Coitadinha deambulou pelas ruas da cidade até encontrar, finalmente, o caminho certo para casa. Chegada à porta da rua, virou a mala do avesso à procura das chaves. Mas porque é que as malas das mulheres são sempre a mesma porra?, pensou, enquanto começava a esvaziar o conteúdo da dita para o chão. Ahá, estão aqui, estão aqui!, exclamou com alegria, ganhando um valente "Oh minha senhora, sabe que horas são?! Vá-se deitar!!", vindo da janela da vizinha que morava no andar abaixo do seu. Já sabendo o que a casa gasta, Coitadinha decidiu ignorar a senhora, abrir a porta e dirigir-se para o elevador do prédio, apenas para ser recebida por uma folha de papel onde se podia ler "AVARIADO". Lindo serviço, disse para si mesma, enquanto começava a subir o primeiro dos nove lances de escadas que a levariam, finalmente, ao 3º Esquerdo. Chegada ao sexto lance, Coitadinha já agradecia a todos os santos o facto das escadas terem corrimão. A partir de hoje, só água e café, jurou, parando para ganhar fôlego. E chá, chá também...Álcool é que nunca mais. Vá, talvez um cheirinho no chá, assim só para dar sabor, continuou para si mesma decidindo que já estava na altura de recomeçar a sua tarefa. Nesse preciso momento, a porta do 2º Esquerdo abre-se, dando a mostrar a mesma senhora que perguntou a Coitadinha se sabia que horas eram. Mas você quer fazer o favor de ir falar sozinha para a sua porta?, perguntou a senhora com cara de sono. Era exactamente para lá que estava a ir antes da senhora abrir a sua, respondeu Coitadinha, que não estava com a mínima paciência para aturar mais um sermão sobre a moral e os bons costumes. Olhando-a de alto a baixo, a senhora murmura algo imperceptível e começa a fechar a porta, parando apenas para ouvir um jocoso "ah, e já agora, são 4 e 23". 
Chegando, finalmente, ao 3º Esquerdo, Coitadinha meteu a chave na porta e abriu-a de imediato. Ia jurar que a tinha deixado trancada, pensou enquanto entrava em casa e mandava a mala para o chão da sala. Dirigindo-se ao quarto, mandou-se para cima da cama ouvindo logo de seguida um "ompf" muito abafado. Ompf?, perguntou a si própria enquanto se levantava à velocidade da luz para acender o interruptor. Quando o quarto se iluminou, Coitadinha nem queria acreditar no que via...

Sem comentários: