Coitadinha levantou-se da mesa aos tombos. Ela sabia que não se ia conseguir endireitar naquela noite, tal fora a intensidade do seu reencontro com Garcia. Vemo-nos amanhã à mesma hora, pensou, enquanto se despedia. A verdade é que Coitadinha nunca gostou de despedidas. Sempre que alguém entrava na sua vida, saía no minuto seguinte sem deixar rasto. Dos três namorados que teve, apenas um lhe justificou a sua ida. O primeiro, Virado... Bom, penso que não será necessário explicar o porquê de terem acabado. O segundo, Baby Boy, até casamento lhe propôs. Porém, no dia, atrasou-se. Com a pressa de chegar à Igreja, teve um acidente de automóvel. Quando Coitadinha o foi visitar ao hospital, ele começou a chamá-la pelo nome da sua ex, convencido de que ainda estava em 2002. O terceiro, Prometido, foi a sua relação mais duradoura, até ao dia em que ele lhe diz que têm de conversar. Ele então explica-lhe que é o príncipe da sua terra, Prometidistão, e que tem de voltar para casar com uma mulher que obedeça aos padrões tradicionais. Ela compreende, sabendo no seu íntimo que as coisas estavam a correr demasiadamente bem para serem realidade, e diz que nunca o vai esquecer...até se ter reencontrado com Garcia, velho amigo de todas as horas, a cura para todas as dores. Parando no Largo de Camões, Coitadinha sentou-se e jurou a ela própria que nunca mais voltaria a beber vinho daquela forma. Afinal de contas, já não tenho 18 anos para andar nestas andanças, disse para ninguém em especial, enquanto ganhava coragem para se levantar e retomar o trajecto que a levaria até casa. Mal ela sabia o que a esperava...
To be continued...
To be continued...
(Devia estar a estudar, devia. Mas ontem, num momento de pura lucidez (estupidez) aqui com a companheira de casa, surgiu a ideia de começar uma saga literária. Sim, literária. Se Margarida Rebelo Pinto é considerada literatura, então porque não também considerar como tal o que daqui sair? No questions here. Enjoy.)
2 comentários:
A isto posso dizer o seguinte: os homens são todos iguais mas uns são mais iguais do que outros! Gostaste da adaptação? muuhahah
Agora falando sério. Sagas e Crónicas como estas são de valorizar e incentivar pois o que faz falta (é animar a malta :D) e descarregar cá para fora as inconformidades da vida desgostosa como tenho ocasião de notar que é o seu caso pela 1ª descrição das ricas peças que aqui nos apresentou. Que alguém grite que a vida é madrasta!
Que os paradigmas de homem aqui referidos não se sintam ofendidos por serem objecto de escárnio. Opá, ninguém está a gozar com vocês só porque foram o elemento cómico, o factor de azar que levaram esta sincera e cativa rapariga a desabafar como aqui vemos. Só vos pedimos uma coisa estimados: get out of our way !!!
Adoro estas explosões feministas. Sendo verdade, em alguma parte, que a caracterização destes protótipos masculinos é autobiográfica, tenho a dizer que ainda não sei se o continuar da história me vai levar a descrevê-los de forma mais intensa. Apesar de tudo, "get out of our way" pode ser uma boa linha narrativa. Aliás, uma óptima linha narrativa :D
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