Aqui há tempos estive vidrada numa banda. Vidrada ao ponto de ter a sua discografia toda no mp3 sem qualquer tipo de espaço livre para o que quer que fosse, de ter como marcadores nos favoritos todos os sites oficiais e oficiosos, de andar a perseguir todos os possíveis rumores de passagem por Portugal em agendas e alertas e afins. Como se me tivesse desligado de tudo o resto a meu redor, como se abrisse os olhos e só visse a dita. Chegaram a dizer-me que não conseguiam perceber o meu fascínio por algo tão banal. Mas, pergunto eu, não somos todos nós fascinados pelas coisas mais ordinárias e por aquilo que, aos olhos de outrem, não parece ser nada de mais? O fascínio não tem que ser analisado nem compreendido, apenas quem o sente é que sabe. E nem são precisos grandes tumultos e convulsões, é com as mais pequenas coisas que esse fascínio cresce e evolui. Evolui de tal forma que quem não percebe se assusta, não consegue compreender e critica. Chama-nos de stalker. Acha que exageramos ao falarmos disto ou daquilo, que vibramos demasiado com algo que é tão trivial. Chegamos a ser também doentios e frívolos, ocos, cegos, acusados de pôr tanto interesse em algo que não é relevante. Afirma que não percebe a obsessão quando, na verdade, também a tem. É igualmente um fascinado. Maravilha-se e deixa-se levar pelas pequenas coisas que a banalidade pode oferecer. Não será, então, igualmente stalker? Aliás, não o seremos todos nós, com encantos persistentes e interesses demasidamente convictos para serem esquecidos? Tudo isto faz parte, é algo intrínseco que simplesmente não se pode desligar. Mais importante, é algo nosso, teu, meu. Se há quem não compreenda, então esses sim, são os verdadeiros ocos e cegos. Porque sem fascínio, nada disto teria a mínima piada.
1 comentário:
Pois ninguém tem que perceber, até porque se percebesse poderia passava a fazer-nos concorrência, tal era o tamanho da perdição e fascinação se entendesse!
Ah pois...aquilo que nos torna alvos de incompreensão arrisco a considerar como simultaneamente motivo para alimentar ainda mais a nossa fixação, adulação. Ainda sentimos maior necessidade de o proteger como nosso, o nosso achado, o nosso tesouro a defender diante dos outros. STALKER TALKER STALKER!!! :| dá para contrariar? Talvez, mas contrariar para fazer a vontade a quem, com que finalidade se estamos bem assim. Tudo tem mais razão de ser se andarmos aqui encantados e agarrados a alguma coisa com as motivações mais íntimas e a satisfação que ninguém tem legitimidade para interromper.
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