Faculdade: Substantivo feminino; Aptidão; Capacidade; Escola superior onde se ensinam ramos específicos do saber.
Anteontem foi o aniversário da saudosa Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. 32 anos a incutir conhecimentos, a marcar a diferença no panorama do ensino a nível nacional. 32 anos marcados pela presença de Sua Sumidade, o Ministro do Ensino Superior Mariano Gago e pelo Magnífico Reitor da Universidade. 32 anos marcados pela contínua degradação das infra-estruturas que servem quase de segunda casa a milhares de estudantes. Para quem frequenta a FCSH é já habitual ver alguns papéis no chão, garrafas de cerveja em cima das mesas das famosas esplanadas (que ganham cada vez mais protagonismo a partir do início do 2º semestre), enfim uma espécie de caos exterior organizado. E ninguém se queixa, a verdade é essa. Mas quem passou anteontem pela faculdade pôde constatar algumas diferenças. Pessoalmente, fiquei de boca aberta com todas elas. Primeiro que tudo, adorei a pintura nova que serviu de decoração ao muro da faculdade. Apelidei-o simpaticamente, aqui há tempos, como Muro das Lamentações - versão tuga. A mensagem era visível mesmo para gente míope, como é o meu caso: "OH GAGO, QUANTO PAGASTE DE PROPINAS?!". Muito bem, adorei, sinceridade acima da tudo. Gostei ainda mais ainda de ver os "paus-para-toda-a-obra-da-FCSH-mas-que-ainda-assim-são-funcionários-especializados" (sim, especialização em tudo o que é tarefa mais pesada) a passarem por cima das letras garrafais um grandioso pincel de tinta a cerca de quarenta minutos do Senhor Ministro chegar. Passamos do lápis azul da censura ao rolo da tinta cinzenta. A Robbialac agradece.
Em segundo lugar, deu-se um autêntico milagre, minha gente: a esplanada estava LIMPA! Não só em termos de chão sem papéis, diga-se de passagem, mas em termos de mesas: metade da esplanada foi à vida. A sério, parecia que a Cinderela tinha andado a varrer o chão durante a noite, só faltava ver o brilho às pedras da calçada. Estudo ali há três anos e nunca vi o exterior da FCSH tão limpo. Senhor Ministro, fica convidado a aparecer mais vezes, pode ser que política da limpeza se mantenha.
Em segundo lugar, deu-se um autêntico milagre, minha gente: a esplanada estava LIMPA! Não só em termos de chão sem papéis, diga-se de passagem, mas em termos de mesas: metade da esplanada foi à vida. A sério, parecia que a Cinderela tinha andado a varrer o chão durante a noite, só faltava ver o brilho às pedras da calçada. Estudo ali há três anos e nunca vi o exterior da FCSH tão limpo. Senhor Ministro, fica convidado a aparecer mais vezes, pode ser que política da limpeza se mantenha.
Por último e, a meu ver, é o aspecto mais importante: o comer. Sim sim, o comer, a paparoca. Sigam o meu raciocínio e vejam lá se não tenho uma certa razão: somos cerca de 6000 alunos vá, mais coisa menos coisa, e temos duas opções a nível de forrar o estômago: cantina ou tenda. Por causa de 5 ou 6 engravatados (um deles o Ministro, atenção), ambos os serviços fecharam ao meio-dia, plena hora de fome, deixando os alunos sem almoço. Adoro, para agradarmos a meia dúzia de pinguins, deixamos de nos preocupar com quem realmente interessa ali dentro. Metam os números na balança, já que somos um país que vive de indicadores: uma cambada de jovens esfomeados de um lado, 5 ou 6 pseudo sumidades que, se for preciso, até raparam o prato do restaurante, do outro. Podíamos fazer um estudo estatístico acerca das taxas de alimentação efectiva da FCSH durante a quarta passada. Aposto que a UE nos punha no mesmo patamar da Etiópia. É isto e terem fechado as casas-de-banho do rés-de-chão da Torre Grande (como nunca sei se é a A ou a B, fica Torre Grande). Aliás, nem se pode chamar aquilo de casas-de-banho. Acho que até um sítio que tenha apenas um buraquinho no chão para alívio de necessidades tem mais condições higiénicas. Adorei ver fitas dignas de crime scene a barrarem a entrada nas ditas casas-de-banho. O mais giro disto tudo é que ontem já se encontravam acessíveis a toda a população. Continuo a insistir na tese de que, um dia, deveríamos levar ou o Reitor ou o Ministro não só às casas-de-banho destinadas aos alunos (sim, porque nas do 7º andar é-nos barrada a entrada, porque será?) mas também, por exemplo, ao sítio onde tenho aulas. Um sítio extremamente arejado e iluminado. Especialmente porque nem janelas tem.
Posto isto, e à semelhança das palavras que se encontravam no Muro das Lamentações, gostaria de lançar a seguinte questão ao Senhor Ministro do Ensino Superior: OH GAGO, QUANTO É QUE PAGASTE PARA COMER? É QUE EU, POR TUA CAUSA, PAGUEI 5€ PARA ALMOÇAR QUANDO COSTUMO PAGAR 2€!
Duas pequenas ressalvas:
1) Afinal não foi o Ministro que andou pela faculdade, foi sim o Secretário de Estado. Chama-lhe burro...
2) A cantina fechou não por esta circunstância mas sim pelo facto de ter havido greve. De qualquer das maneiras, os alunos ficaram mais pobres na mesma pois não há ali nas redondezas outro sítio onde se almoce por 2,15€.
Duas pequenas ressalvas:
1) Afinal não foi o Ministro que andou pela faculdade, foi sim o Secretário de Estado. Chama-lhe burro...
2) A cantina fechou não por esta circunstância mas sim pelo facto de ter havido greve. De qualquer das maneiras, os alunos ficaram mais pobres na mesma pois não há ali nas redondezas outro sítio onde se almoce por 2,15€.
4 comentários:
Há coisas fantásticas, não há?
Brutais mesmo. Eu ainda vou querer a diferença dos 3€ que paguei a mais para me poder alimentar. Acho isto hilariante. Os alunos fazem a faculdade. Os alunos são a faculdade. E os alunos ficam sem comida. Isto para mim era motivo para andarem a oferecer comida às quartas from now on. Só naquela de compensação emocional.
Podiam pedir uma indemnização por danos não patrimoniais...
Comida é património oh. Vou propôr à ONU o marco de Património da Humanidade em todas as cozinhas do país muahahah
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